Yoga

Yoga e ser feliz

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por Márcia Becker

O ser humano existe para ser feliz. Realizar a felicidade, no entanto, requer dedicação. Para sermos felizes precisamos passar pelo processo do despertar da consciência. Com a consciência desperta passamos a perceber a realidade, sem ilusões, sem distorções.

O Yoga é um caminho para o despertar da consciência. Dentro dele existem muitos métodos que podemos utilizar para tornar esse caminho mais ameno. Daí as muitas associações de palavras com o Yoga: Hatha, Jnana, Bakti, Raja entre outras. Muita gente se preocupa com isso e pergunta: que tipo de Yoga você faz? O que realmente importa é que a palavra Yoga sozinha tem um significado maior do que quando associada. Yoga é a síntese que nos leva a perceber nossa verdadeira essência.

Nossa essência está no âmago do nosso Ser e é nela que espelhamos a imagem e semelhança de Deus. O que nos impede de alcançar essa essência é a nossa identificação com pensamentos, emoções e com nossa personalidade. Quando nos perdemos em pensamentos e emoções, estamos levando a consciência para longe da nossa verdadeira essência, pois ela não é o pensamento e nem as emoções.

Quando conseguirmos unir a consciência com a verdadeira essência então estaremos realizando nosso objetivo mais sagrado. Para conseguirmos isso precisamos construir e manter a saúde. O corpo não deve ser obstáculo paralisando-nos com suas dores e desconfortos. Cuidar do corpo é como cuidar do templo onde mora Deus. Alimentação, respiração, descanso, exercícios físicos e equilíbrio mental são a base de uma vida saudável. Quando alguém se descuida do corpo está tornando mais árdua a tarefa do encontro com sua verdadeira natureza. Praticar Yoga é uma forma especial de cuidar do corpo.

No entanto, isso não é suficiente, é preciso também cuidar da mente. Podemos começar por observá-la. A consciência segue a mente, portanto, é preciso saber onde ela está. Se pararmos para observar, veremos quantos pensamentos acontecem na mente em um simples minuto – um verdadeiro turbilhão. Quantos desses pensamentos são apenas conjecturas? Coisas que podem acontecer, mas que não necessariamente vão acontecer. Coisas que já aconteceram, mas que não trazem mais nada de novo, pois fazem parte do passado. Julgamentos prévios de possibilidades remotas. Expectativas em relação aos outros, em relação a nós mesmos, ao mundo, ao futuro e até em relação ao passado quando dizemos: isso poderia ter sido diferente. Ligamos o “achômetro” e o “julgômetro” e os pensamentos vão nesse roldão. Nossa energia acompanha esse movimento e no final do dia nos sentimos exaustos. Cansamos porque a mente trabalhou demais e, na maior parte do tempo, gastou energia sem nenhum proveito. Por isso precisamos silenciar a mente. Quando paramos, nos sentamos, relaxamos o corpo e prestamos atenção na respiração, estamos iniciando o processo de construção da paz interior. A paz nos permite silenciar e acalmar a mente. O vigor que conseguimos com essa simples parada é muito grande. Muita gente acredita que não é possível fazer isso, que para tornar a mente ainda mais ativa, mais poderosa e que aí ela exerce um domínio ainda maior sobre nós. Isso pode ser apenas uma defesa do ego, certo medo de ficar em silêncio, de não conseguir suportar a paz. Estamos tão acostumados com o “barulho” mental que podemos não suportar o silêncio. Podemos pensar que quando estamos numa balada e o som está exagerado, nem mesmo a nossa voz conseguimos ouvir. Quando repentinamente saímos do ambiente e vamos para um lugar silencioso, nossos ouvidos apitam e por algum tempo ainda sentimos o impacto do som exagerado. Também é assim com a mente. Exposta a tantos ruídos, estranha o silêncio e não sabe lidar com ele. É preciso um tempo de aprendizado, de adaptação. Um tempo para ensinar a ela que é possível e que é bom silenciar, pois é no silêncio que vamos conhecer um novo mundo, orientado pela nossa essência mais sagrada. Silenciar a mente é praticar Yoga.

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