Dia Contra Homofobia

Dia Internacional Contra a Homofobia

Posted on Posted in Conteúdo, Diversos, Revolução Social

A Helen Negrão é uma amiga, multifacetada, plural e linda em todos os aspectos, que promete alguns textos para colaborar com nosso blog.

Bem vinda Helen, ao seu primeiro post!

_________________________________________________________________________________

por Helen Negrão

Hoje é o dia Dia Internacional contra a Homofobia. E eu gostaria de propor uma mudança. Acho que esse dia deveria se chamar dia Internacional pela Cura da Homofobia.

Essa doença que costuma afetar até mesmo os chamados homossexuais e que impede muitas pessoas pelo mundo afora de aceitarem os próprios sentimentos e o amor porque não servem aos imperativos propagados pela religião e pela política, essas duas frentes que ditam o que deve ou não ser, o que deve ou não existir, como deve ser a educação e a vida daqueles a quem controlam e manipulam para servir aos interesses das classes minoritárias e privilegiadas, a saber: famílias estruturadas dentro do mesmo sistema opressor que legitima a violência contra o feminino e perpetua as diferenças de gênero ao mesmo tempo em que escraviza as mentes e faz as pessoas acreditarem numa necessidade eterna de vir a ser algo ou alguém que jamais serão, não porque não possam ser, mas porque são ensinadas desde cedo a não sonhar mais do que podem, e nem a ser quem realmente são: seres únicos e que somente por isso, já nasceram sendo alguém, precisam apenas de um ambiente propício para manifestar quem já são e não para serem tolhidas e podadas de modo a gerar apenas os frutos que servem ao poder de quem lhes governa o corpo e a alma.

É essa a venda que a religião propõe, esqueça seu ser, esqueça e siga as nossas regras. Siga as regras de como deve ser amar e ser amado e se não seguir, o inferno, que pode ser aqui ou logo além, vai chegar até você. E assim muitos vivem o inferno nosso de cada dia, pedindo perdão a um Deus externo criado pelos homens que punirá a todos os que não expressarem as características definidas pela religião do que vem a ser o amor, do que vem a ser a perfeição divina. Mas quem é perfeito assim pra ditar essas regras? O pastor? Esse que propaga o medo? Esse que propaga a arrogância de colocar os seus “irmãos” como devedores e pecadores que merecem a sua compaixão (um substituto para pena)?

Que se curem os pastores de sua arrogância e do seu medo daquilo que não podem controlar com suas palavras congeladas em livros que só existiram graças a um ser que aprendeu a amar, todo o resto é uma grande mentira usada para espalhar o medo e o pânico na mente dos que acreditam. Que se curem os gurus do medo, que se curem os psicólogos que não se curam do seu próprio preconceito, que se curem as mulheres e os homens de sua própria falta de luz, e que se curem os próprios gays de sua inconsciência a respeito de seu próprio valor.

Eu também já acreditei nesse Deus que pune a todos e a todos castiga, acho até que ele existe pra quem acredita nele, mas eu escolhi servir a um amor maior do que esse que cobra estabilidade financeira, aceitação social, e orgulho em criar filhos para serem reflexo das minhas próprias impossibilidades de ser quem sou e expressar aquilo que há em meu coração e em minha própria alma.

Escolhi seguir o amor que tenho pelo próprio amor. Um amor que não me faz baixar a cabeça, um amor que me faz enfrentar o medo e ter coragem para expressar quem eu sou apesar do medo e dos julgamentos alheios, um amor que me faz desistir de toda e qualquer religião que não inclua a todos, que não fale de amor a todos, inclusive a quem ama alguém que nasceu com o mesmo sexo que o seu, a quem uma parcela da humanidade investida de algum tipo de autoridade convencionou dividir e classificar em heterossexuais, homossexuais, bissexuais e transexuais, como se o amor pudesse ser dividido em classes. Como se o sexo fosse sinônimo de amor.

A esse amor maior eu só posso reverenciar e honrar como a melhor parte de mim, pois me faz ter coragem e me afasta de todos os lugares onde ele não existe: seja na família, nos amigos, nos grupos sociais, nos grupos religiosos e espiritualistas onde não há amor de fato, mas sim discursos vazios, incompreensão e falta de desejo de aprender com o outro e muitas vezes: a arrogância de curar alguém de algo que não tem cura, afinal há cura para quem aprendeu a amar?

Religiosamente, não seria esse o objetivo da nossa estadia nesse planeta? Aprender a amar uns aos outros como a si mesmo como Ele nos amou? Como posso amar a mim mesma se não aceito como amo outra pessoa ou se acredito que somente o meu jeito de amar é o certo e tento fazer com que as outras pessoas se sintam menos amadas por não serem iguais a mim?

No dia em que as pessoas enxergarem o amor verão isso que chamam de Deus em cada folha verde no meio da floresta, enxergarão cada fio de cabelo dos seres da mesma maneira, respirarão Deus em cada sopro de ar e saberão que na natureza tudo é perfeito. Há tanta diversidade na natureza como há diversidade entre as criaturas. Ninguém mais vê Deus porque o procuram em lugares onde ele não está e assim, permitem que as florestas sejam destruídas, poluídas, que os animais sofram e lhes sirvam como escravos, assim como os índios, os negros, as mulheres e todas as minorias.

E tudo isso porque há gente nesse mundo que se julga superior às outras criaturas. Por ter nascido humano, por ter estudado em boas escolas, por ter diplomas, certificados, cargos, posses, bens acumulados, nome, prestígio, ou seguidores que não acreditam em si mesmos como partes perfeitas da natureza grandiosa da qual todos fazemos parte.

Que o mundo possa se curar da homofobia, assim como da sua falta de amor por todas as criaturas que vivem, respiram, sonham, sofrem e amam, pois somos todos filhos da Natureza e quando longe dela, perdemos a noção de quem realmente somos. Que possamos lembrar de quem realmente somos e de nossa natureza divina, essa que não está viva nos livros, mas sim no livro da própria natureza e com toda a sua beleza!

 

 

Deixe uma resposta