Panchakarma dia 26_Ghi Virechana

Dia 26 – Terceiro dia do Snehana Interno para o Virechana! – Diário de Panchakarma de Raquel Calloni

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Vigésimo Sexto dia de Panchakarma: dia da Limpeza!

Panchakarma é isso.. limpeza física, mental e emocional.

Parece-me que ontem o dia foi de limpar um guardado que não tinha mais razão de ser e que nem eu sabia que “estava lá”.

Acho que alguém ,algum dia, já passou por esta situação.. de estar em um local onde tem algo que não cheira bem.. é desagradável. Isto vai gerando um incômodo cada vez maior.. mas ao mesmo tempo, dá um medinho de ir procurar e achar algo MUITO desagradável e assustador..

Só que chega um ponto , onde o mal estar supera a negação, e então nos colocamos à procura…. Afe!!! E quem procura acha!!!
No início aquele desagrado, sensação de repugnância total, indignação! Pronto , achamos a causa! Agora é regaçar as mangas e tratar de limpar. Pode ser que algum resíduo fique..mas a causa foi descoberta.

Quando a causa é descoberta(seja ela mental ou emocional), nos tornamos mais seguros, pois sabemos que não foi um agente externo que causou o mal estar, mas sim um gatilho interno, um comportamento, uma falta de atitude . Porém não dá pra se iludir… pensar que porque foi descoberta curou! É necessário muita observação e disciplina para não incorrer no mesmo erro! Mas a causa agora esta ai, exposta para auto estudo!!

A causa é interna , os causadores são externos… se não há causa , não há efeito. Para tornar mais claro: é como a saúde física: o problema não é o vírus .. é a baixa imunidade!

O descobrimento trás parte da imunidade… o restante é zelo!
Este é o meu relato do dia de Panchakarma! Descobri um gatilho que me fez Atravessar! Não me vejo mais como menina errante e sim como mulher condutora de meu caminho!

Nota: desde que comecei a fazer os relatos do Panchakarma, muitas pessoas me dizem que de uma certa forma sou “corajosa” de expor tantas sensações. Faço isso por um único motivo: Nunca nenhum livro técnico sobre auto conhecimento ou cura me tocaram ou me motivaram. Ao passo de que ouvir algum relato sobre alguém de “carne e osso” que passou pela mesma situação que eu me encontrava e superou…. Ahh, isso me fez acreditar que é possível!
Sentindo –me agraciada e contemplativa neste processo todo – com  Graziela Spadari Perozzo.

A foto escolhida de hoje foi tirada em um muro em São Paulo, e traduz perfeitamente como me sinto

Raquel Calloni
Nutricionista Ayurvédica

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Pois é, ninguém disse que seria fácil, mas dissemos que seria bom. O processo realmente não é dos mais agradáveis. Encontrar esses “cheiros” escondidos dentro de nós mesmas, nos coloca em um lugar interno que nem sempre é fácil. Ontem a Raquel teve exatamente a reação que vínhamos aguardando e preparando pacientemente, durante todo o processo.
Não é à toa que os antigos sábios falavam que o Panchakarma é capaz de desalojar impressões inclusive de outras vidas.
Essa que a Raquel desalojou não vem de tão longe, mas é profunda, e vinha, em alguns momentos, atrapalhando seu caminhar.
A ingestão de ghi medicado(snehana interno), tem essa função. Vai descolando. Até que solta e você é obrigada a olhar. Não tem jeito.
Nos sentimos nuas, desamparadas, frágeis e fortes ao mesmo tempo, por estar enfrentando.
Estamos no meio da saturação. Nesse momento, muitas vezes o paciente quer desistir. Quer parar. Rejeita o ghi, tende a se vitimizar, fragiliza.
Não é fácil se deparar com o desapego.
Sim, desapego. Somos apegados mesmo ao que nos machuca, porque se não fossemos, não nos machucaria mais. Sendo assim, temos ganho até com a dor às vezes. Isso parece um contra-senso, mas é verdade.
É um ato de coragem sim, mas muito mais que isso, é um ato de auto-amor.
Não precisamos carregar nada, absolutamente nada nessa vida.
Tudo o que carregamos nos limita, e nos prende nessa situação de vida humana condicionada e nos afasta da nossa real natureza. O ser espiritual, livre. Alma livre é o que somos.
Faltam ainda provavelmente dois dias de snehana interno para a Raquel.
Mais coisa vem por aí… mas que bom que estamos lidando com alguém disposto a se olhar, a conhecer a sua verdade. Como é comum a todos nós, a vontade de auto-sabotagem aparece, mas a Raquel tá enfrentando com coragem e força. E com sensibilidade pra entender.
Ontem li um provérbio cigano, que vesti como uma luva, e acho que muita gente vai vestir, que dizia assim:

“Aquilo que cair da carroça, deixe para trás, pois não lhe pertence mais!”

Então gente, paremos de carregar a carroça com cargas desnecessárias, pesos mortos, pessoas, coisas e situações que não merecem estar nela conosco. Leve consigo, tenha ao seu lado, o que lhe faz bem, o que quer estar ali e cabe na sua história. O resto, deixe cair da carroça e continue andando. Vamos mais longe, e mais felizes, aproveitando mais o caminho quando não estamos pesando mais que o necessário.
E eu, em meus quase 16 anos como terapeuta e depois terapeuta ayurvédica, nunca vi nada igual ao panchakarma para liberar carga desnecessária!

Namaskar!!

Graziela Spadari Perozzo
Terapeuta Ayurvédica
Espaço Anam Ċara

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