Hanuman

Disciplinando a mente com Hanuman

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por Patrick van Lammeren

 Dentre as diversas divindades do Hinduísmo encontramos Hanumān. Mencionado como personagem no épico

Rāmāyaṇa, Hanumān é um Vānara, “habitante da floresta”, descrito como um grande macaco branco, com uma longa

cauda e mandíbulas poderosas. Na Índia, encontramos sua representação em todo lugar, recebendo um carinho

especial por todos os hindus. Mas para a mente ocidental, por vezes é muito difícil entender como é possível haver uma

representação do Divino como macaco.

A tradição védica ensina que o Divino está em todo lugar, tudo sustentando. Uma vez que nada está fora dele, tudo o

que existe é Divino, sendo sua manifestação. Os animais, portanto, também estão inclusos, devendo ser reconhecidos

como aspectos dele. Com isto, aprendemos a apreciá-los e respeitá-los como parte do mesmo Todo. Respeitar a vida

dos animais, cuidar para que possam ter uma vida confortável, e causar o mínimo de distúrbio a eles e a seus ambientes

é de grande relevância no estilo de vida de Yoga, sendo chamado Bhūtayajña, o oferecimento a todos os tipos de seres.

Mas o macaco, em especial, tem um significado simbólico bastante relevante. Diferente de um esquilo, que passa de

uma árvore para outra descendo e subindo por seus troncos, o macaco pula de um galho a outro, sem descer ao chão.

Sempre em movimento, pulando de um lado para o outro, e causando grande confusão e tumulto quando em bando, o

macaco é símbolo de uma mente agitada e distraída, nunca alcançando uma profundidade com relação a seus

pensamentos e emoções, saltando de um desejo para o outro continuamente. Uma mente como esta não é capaz de se

perguntar qual é realmente seu objetivo na vida, o que está buscando em última instância, e muito menos questionar

qual a verdade sobre si mesma.

No Rāmāyaṇa, é dito que Rāma, a encarnação do Divino, encontrou o reino dos Vānaras enquanto buscava por sua

esposa Sītā que havia sido raptada. Neste local, conheceu o ministro Hanumān. Ambos tiveram uma imediata

identificação, havendo grande empatia entre os dois. Reconhecendo Rāma como verdadeiramente divino, Hanumān

dedicou a vida à sua causa, se concentrando em encontrar Sītā.

É dito que Hanumān é filho de Vāyu, deidade do vento, e por isso é dotado de grande força e poder, sendo capaz de

crescer e diminuir à sua vontade e de saltar grandes distâncias. O Rāmāyaṇa, de fato, é recheado de grandes proezas

realizadas por Hanumān. É ele que descobre onde Sītā está sendo mantida, saltando do continente até a ilha de Lanka,

atravessando o oceano com um único passo. Também, é através dele que o grande exército de macacos, disperso e

indisciplinado, é mobilizado para lutar ao lado de Rāma contra o exército de Rāvaṇa, o terrível asura que raptou Sītā.

Com esta força de inúmeros macacos à disposição de Rāma, uma grande ponte foi construída ligando o continente à

ilha, fazendo com que alcançassem Lanka e derrotassem Rāvaṇa, unindo novamente Rāma e Sītā.

Hanumān, portanto, representa a capacidade de disciplinar a mente em nome de algo maior: o respeito ao Dharma,

aquilo que deve ser feito, e a busca pelo autoconhecimento, representados pela figura de Rāma. Através de Hanumān, a

mente com seus inúmeros desejos e tendências se torna disciplinada, como o exército de macacos, levando todos a

atravessarem o oceano do Saṁsāra, repleto de sofrimento e confusão. De fato, Hanumān representa o próprio Yogin,

aquele que tem sempre o Divino em mente, agindo sempre em seu nome. Isto é que é, realmente, uma vida de Yoga:

aquela em que há respeito ao Dharma e valor pela verdade.

Onde há a repetição do nome de Rāma, ou seja, uma apreciação da Ordem Cósmica que tudo sustenta, Hanumān se faz

presente, abençoando com força, clareza e determinação. Neste ano de 2016, no dia 21 de Abril ocorre o Hanumān

Jayantī, festival em que se comemora seu nascimento e se contam suas proezas. Que Mahābalī, “aquele que é muito

poderoso”, oriente nossas mentes para o grande encontro com Rāma, que é a descoberta da natureza fundamental,

livre de limitação e completa, deste Eu que já sou.

JAYA HANUMAN!

Patrick van Lammerené discípulo da professora Gloria Arieira 

e dá aulas de Vedanta, simbolismo védico e Puja no Vidya Mandir

Em maio estará no Espaço Anam Ċara – Um lugar amigo da alma para ministrar o curso

Curso de PUJA – a Realização de um Ritual Hindu

texto originalmente publicado no site: www.vidyamandir.org.br

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